14 Outubro 2008

Divagações sobre o que é ser crafter e por que consumir crafts

Vulcan: embalagem


Por Emy Kuramoto, blogueira convidada do Mês.

Vocês que circulam por aqui já devem ter sacado que o ato de fazer artesanato, crafts ou trabalhos manuais (a terminologia mais adequada costuma gerar muita discussão) sofreu uma reviravolta com a internet. O que antes era atividade de vovós ou passatempo de donas-de-casa, pelo menos no imaginário comum, está sendo levado mais a sério como negócio. Fato interessante é que muitas pessoas jovens e bem instruídas, com ensino superior, diplomas e especializações variados, estão se dedicando a fazer trabalhos artesanais e isso parece ser um fenômeno mundial. Juventude e formação acadêmica não garantem necessariamente qualidade, mas certamente introduzem uma nova cara às técnicas tradicionais, que estão, aos poucos, é verdade, deixando de ser vistos como um sub-emprego malfadado para se tornar uma atividade rentável.

Esse novo perfil de artesão foi se consolidando com o surgimento de sites, fóruns, blogs e comunidades online relacionadas ao tema. Muitos aproveitaram a experiência que já tinham em casa, graças às mães, avós e/ou tias prendadas, para se dedicar a algum trabalho artesanal e divulgá-lo pela rede. Outros se utilizaram da própria web e de seus zilhões de tutoriais para aprender sozinhos a dar os primeiros passos, esmiuçar alguma técnica e vender seus produtos. Não sei dizer se há um caminho melhor, mas acredito que o valor individual, a bagagem, o bom gosto e a determinação são mais importantes do que o modo como você dominou algum processo.

O bacana disso tudo é perceber como o trabalho artesanal difundido pela internet provocou uma mudança efetiva na vida das pessoas. Um bom exemplo é o de mães que tiveram que abandonar seus empregos para criar os filhos e encontraram independência e valorização numa atividade manual sem abrir mão do tempo com as crianças. Ok, antes que as mais feministas me lancem um vudu, não acho que se dedicar aos crafts seja um retrocesso, seja coisa de mulher desocupada, de mães desempregadas que aceitaram o trabalho manual como um consolo, como um ato último de resignação, pelo contrário, percebo que muitas encontraram no meio de agulhas, linhas, papéis e tintas uma sensação libertária e prazerosa e que isso as fez desfrutar de mais qualidade de vida, essa coisa tão reivindicada quanto escassa hoje em dia. Digo isso porque ainda há muito ceticismo quando você se anuncia como artesão ou crafter. Há os que pensam que você está achincalhando as conquistas das mulheres no mercado de trabalho e que com a sua formação, você deveria estar vestindo um tailleur preto, subindo o elevador de um prédio bem bacana para uma reunião com a diretoria de uma multinacional. Outros simplesmente acham que você só pode estar brincando, delirando de fome, ou então, pronto, virou hippie!

Bem, esse estado de descrença que paira sobre as cabeças de quem trabalha com crafts denota bem a confusão sobre o papel, principalmente da mulher, nos dias de hoje. O trabalho manual, feito em casa, que muita gente ainda vê como um recuo nas demandas feministas, está sendo abraçado por mulheres jovens, que dão uma cara divertida, moderna e diferente ao velho crochê e tricô, por exemplo, sem que isso seja encarado como uma atividade menor, simplória, de “mulherzinha”.

O legal em reler uma técnica antiga é que o consumidor passa a ver o produto sob outras perspectivas. Aquela toalhinha bordada que ficava em cima da cômoda da sua avó agora tem cores e formas bem mais atuais, saem as tradicionais flores e entram corujas e caveiras, por exemplo (e eu gostaria de saber por que essas imagens são tão recorrentes no Etsy...). Uma rápida vasculhada em sites e lojas especializados em vender esse tipo de produto permite perceber que não há similares nas grandes lojas e nos shoppings. Então uma conclusão banal, mas importante, é que a vitalidade do produto artesanal reside justamente em conseguir se situar fora do mainstream, principalmente da produção massiva globalizante, de ritmo chinês, que fez as coisas ficarem mais baratas e mais iguais, algumas com qualidade bem duvidosa. E é justamente esse traço outsider que fez com que emergissem na rede alguns ditos “movimentos craft” ou até “manifestos craft”, tentando politizar essa nova onda de artesãos, dando a ela um quê de resistência e protesto. Nessa lógica, os crafters se situariam no mesmo terreno das bandas ou dos videomakers independentes. Vejo que os norte-americanos, particularmente, gostam muito dessa visão. No site I buy handmade, há vários links para blogs e sites que tratam de consumo consciente e criticam as grandes corporações. Yes, eu concordo que trabalhar com crafts é, até certo ponto, social e ecologicamente correto, afinal rios não são poluídos, a produção não é alienante e um batalhão de pessoas não é subempregado num chão de fábrica apinhado de máquinas, mas não me sinto nada confortável com esse viés socialista que se tenta promover por lá. Acho exagerado, afinal, de um jeito ou de outro, dependemos das grandes corporações (eu gosto de comprar bons materias, máquinas e utensílios para o meu trabalho!), precisamos de dinheiro, precisamos viver com dignidade e isso é bacana para a economia.

Bom, em vez de ver a coisa apenas por este ângulo social e “consciente”, prefiro pensar que o trabalho artesanal deve ser consumido e valorizado pelo que é em si. Explico: há muitos crafters suprindo nichos que as grandes lojas não atendem, ou seja, entendendo seu cliente e o que ele quer. Se você está prestes a fazer sua viagem dos sonhos e procura um diário de viagens à altura, provavelmente não vai encontrá-lo na papelaria da esquina, mas pode achar um caderno perfeito, feito com papéis especiais, com estampas diferentes e lombada artesanal no ateliê de um crafter ou então, se você quer sair da mesmice e procura aquele vestido com uma gola super bacana e botões vintage garimpados com carinho, vai ver que ele não é vendido nos shopping centers, que geralmente tentam nos enfiar goela abaixo a moda das revistas... E, mais importante: o consumo de objetos craft geralmente implica numa relação direta, pessoal e respeitosa entre artesão e consumidor. Alguns produtos são feitos sob medida, ou seja, há uma pessoa ou uma equipe dispensando seu tempo para atender exclusivamente um cliente. Num mundo cada vez mais impessoal, onde se compra a rodo e a toda hora, acho que consumir crafts aumenta e diversifica as opções de compra, afaga os olhos e faz bem para a alma!

E vocês, o que acham?

64 zigzags:

Regiane disse...

Olá pessoal, estou acompanhando o blog a algum tempo e adorei o post da Emy, eu tento fazer minhas próprias coisas, pelo motivo de ser único e pensado sob medida para mim. SInto que estamos perdendo o ato criador para somente usar o que está na moda (mesmo que ela seja extremamente duvidosa). Fazer artesanato não é se rebaixar pelo mais barato, é poder criar algo útil que as grandes empresas não se importam.

Carla Bosco disse...

BRAVO! Você disse tudo.
Ser feminista não é poder optar pelo que quero fazer da vida?
Viva a internet por estar mudando a cara do artesanato e das artesãs!

Ale disse...

Parabéns garota, que belo texto!
Sinto muito esse olhar meio torto das pessoas quando digo que tenho o sonho de viver de arte... Principalmente quando a arte é costura, pintura, colagem, bordado ou coisinhas do gênero. O importante é que o movimento esta crescendo e as pessoas estão aprendendo a valorizar o trabalho artesanal e a personalidade que ele oferece.
Acho que apesar de algumas cabeças ainda continuarem no seculo passado, as coisas estão mudando e depende muito de nós contruir a imagem que queremos ter, neste raciocinio cabe saber que devemos ter ética, honestidade e originalidade. Digo isso porque com a internet, vemos muita copia descarada, produtos de qualidade duvidosa, desvalorizando o trabalho de um grupo enorme de pessoas.
Assim, acho que o debate é valido, é valida a troca de ideias e a formação de uma consciencia de "classe" não no sentido "sindicalista" da palavra, mas sim no sentido de unir as pessoas com um objetivo comum e nesse sentido o Super ziper é campeão. Parabéns meninas!!
Abraços,
Ale

Teresa Agrello disse...

Adorei...(aplausos)
É bom que possamos desmistificar essa imagem de que Artesanato é uma coisa menor... para quem não tem opção no mercado de trabalho, muito pelo contrário, para fazê-lo é necessário habilidade, tanto quando sensibilidade. Como você mesmo citou, o mercado Chinês, na minha opinião volúvel, só faz com que valorizemos cada vez mais as coisas personalizadas...

liler disse...

Oiii!!!
Parabéns pelo texto. Tenho certeza que expressa o que muitas de nós pensamos sobre o assunto.
È duro ter prazer em uma atividade que é taxada como do século passado. Realmente com a internet, conseguimos mudar esse sentimento e nos sentir atuais mesmo com agulha e linha nas mãos.
Bjs e até mais...

Julia Cabral disse...

Gente, isso é exatamente o que eu penso! Se você opta por viver fazendo suas coisas, você está regredindo no avanço das conquistas da mulher na sociedade ou simplesmente optando por uma melhor qualidade de vida? Eu pessoalmente vou pela segunda opção! Meu sonho é poder largar tudo e viver de criar meus objetos, mas para muitos isso é um desperdício de carreira, estudo, etc. E eu não concordo com isso.
Sou completamente a favor de poder fazer o que gosto sem os outros olhem como se fosse algo que as pessoas sem outra opção de vida fazem. Muito pelo contrário, nada melhor que fazer disso sua opção de vida porque você QUER!
E não há produto made in china que se compare com aquele feito especialmente pra você!
Parabéns pelo texto Emy! E parabéns pelos lindos produtos que seu estúdio confecciona... nunca teria encontrado uma bolsa tão perfeita quanto a que comprei de você.^^
bjos!

emy disse...

meninas, concordo com todas! Olha, acho q todo mundo que faz crafts, pra pagar as contas ou como hobby, são uns bravos, porque demora, dá trabalho, dá canseira, mas é lindo! E não é só o resultado que é lindo, é a dedicação, é o tempo que vc dispensa para obter uma peça única, é o "errar e fazer tudo de novo", o mais perfeito possível, enfim toda sua história tá ali! bjinhos doces pra todas!
Julia, vc já é freguesa do peito lá no Tofu! =)

Puma Yui disse...

Não poderia ter sido dito de melhor forma! Incrivel que o texto nos passa a nossa atualidade!
Me alegrou o dia ver como a realidade tem mudado para se adequar à personalidade, à individualidade, e não ao consumismo desenfreado da moda, onde todos utilizam itens iguais aos dos outros!
Eu me sentia deslocada antigamente, por gostar de desenhar minhas roupas e bolsas, além de confeccionar bichinhos e acessórios, mas hoje em dia, isso não funciona assim. Fazer suas próprias coisas, ou encomendar com um(a) crafter, é sinal de que vocÊ quer se expressar. =)
Fora que isso não é mais um serviço de dona de casa que não arruma emprego, é prazer de uma pessoa, ao fazer e ao ver a apreciação dos outros.
Me deu até ânimo de pensar seriamente em largar meu emprego chatinho de secretária e aceitar o desafio de ser desenhista em uma produtora de marketing...
Obrigada pelo texto!

Concha disse...

Fantástico texto!!

Revejo-me totalmente no que escreveste! E acho que este movimento dos crafts é uma terceira via de feminismo, a via em que as mulheres podem assumir que são femininas e, mais importante ainda, podem escolher o rumo que querem dar às suas vidas. Afinal, 'ça ne se passe pas au boulot'! Por que razã tenho de trabalhar no mundo 'corporate' para ser uma mulher realizada?

Grande texto mesmo!

LadyShampoo disse...

Putz, gostei tanto do texto que queria postá-lo no meu blog... Posso?
Com link indicandod e onde veio, ÓBVIO...
meu blog: www.shampoo.art.br
me mandem um recadinho por email mesmo se eu puder. ^^

Blog da Lily disse...

Adorei!!!

VocÊ conseguiu traduzir o que sinto e não tinha palavras pra dizer!

.faso disse...

Texto maravilhoso que me faz repensar um monte de coisas que eu venho matutando faz tempo.

-Momento desabafo
Repito o que postei em um fórum (link no final)

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Então, não sei quanto a vocês, mas eu me encaixo na lista dos que não sabem viver de craft - como assim?

Gosto muito de criar e pirar na batatinha, mas realmente não sei vender o meu peixe e fazer dele minha forma de vida - aliás, nem sei se vivendo apenas disso eu conseguiria ter a vida que eu sonho.

E não sou daqueles que sonham com mansões e carros de luxo, só queria ter um vida confortável, conseguindo pagar um bom estudo para os meus futuros filhos, viajar/sair quando quiser sem muitas preocupações.

Vejo que não tenho mais o perfil para ficar enclausurado em um escritório, mas morro de medo -se é que posso escrever assim- desse meu futuro nebuloso.

Outra coisa: tio .faso não tem o pique para produção de várias peças... será que o meu negócio seria contratar ou fazer uma parceria com uma costureira para me deixar livre para criar e bonecar os primeiros bonecos, deixando as encomendas em suas mãos?
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Acho que a Claudia já comentou algo do tipo comigo, mas tenho que confessar abertamente que esse é um fantasma que vem me assombrando há muito tempo.

Sorry pelo desabafo e um grande abraço,

.faso

Carola Rodrigues: disse...

Estou no mesmo momento do .faso (engraçado isso): será que dá para viver, como eu desejo viver (sem grandes luxos, mas também sem mendigar trocados), de crafts?
Cara, eu mentalizo todo dia que sim!

Também não me vejo em escritório ou fazendo outra coisa. Mas mesmo formada em administração e sabendo dar conselhos pros outros, eu mesma, sou uma negação em vendas.

(faso, estou solidária contigo!!!)

Emy, excelente texto, super bem escrito. Mas lembrando que nós artesãs, crafters, bla bla bla, também consumimos objetos chineses (tecido, botão, linha, ...) e incentivamos isso dessa forma. Então não dá para falar que somos menos "agressivas" ao meio social e ecológico. :-/

emy disse...

Tb acho Carola, não dá pra criticar a indústria e o "made in china" sem ter o rabo preso, é esse o nosso inferno. Acho que toda criatura desse planeta tem alguma coisa em casa que foi feito na China, porém, todavia, no entanto, contudo, me sinto um pouco mal por consumi-los, mas não é por isso que eu não devo criticá-los. Há algumas décadas, os produtos japoneses tb eram péssimos, mas hoje eles têm produtos de ponta. Eu espero que qdo estiver velhinha eu compre coisas chinesas com um sorriso confiante no rosto, senão vou fazer um blog só pra falar mal desses produtos, rs...
olha gente, eles não são moles, não! Tenho até receio de digitar a palavra China por aí, pois deve haver vários censores do governo chinês rastreando tudo o que se fala sobre eles...
Soube há uUm tempo atrás que fizeram a proeza de falsificar uma Disney inteira, quase rolei de rir. Pensei: "pronto, agora as sete pragas do Egito já podem se instalar, estou pronta! rs..." link aqui!

Voilà! Idéias disse...

Olá,
Vc expressou exatamente meu sentimento. Eu recentemente larguei um emprego rentável em uma empresa de grande porte para seguir meus sonhos que é trabalhar com craft e cuidar do meu pequenino que desde os primeiros anos foi criado pela escola.... Mas tenho que confessar está sendo um pouco difícil, já que sempre trabalhei fora e tive uma conta bancária boa e pra piorar sou péssima nos afazeres domésticos.
As compensações são muitas porém é um caminho árduo e difícil. Eu acho que comentários como o seu faz com possa me animar cada dia mais e em pensar em não desistir desse meu novo desafio. Emy sou sua fã!!!!
Um grande abraço,
Ilka Uehara

Beti Copetti disse...

Não sei se a internet impulsionou tantas crafters, ou se deu visibilidade ao trabalho que elas já vinham fazendo. Mas, de qualquer forma, a web está mostrando que não precisa ser tudo igual. Cada um vê, faz e mostra o que tem interesse.

Pra quem passou pelo feminismo e a quase obrigação de trabalhar fora, considero que escolher trabalhar em casa, fazendo coisas que dão prazer é uma evolução. As pessoas estão escolhendo como viver e, a internet mostra que não é necessário se encaixar dentro do padrão antes difundido como único e correto.

Cristine Martin disse...

Gostei do artigo, Emy!

Sempre gostei de artesanato (eta vício!) e ainda que não consiga viver só dele, também não consigo viver sem ele!

Entendo a preocupação do Faso, e admiro a atitude positiva da Carola. A Internet é uma grande vitrine, e há espaço para todos. Nenhum artesão deve ser encarado como concorrente, pois cada um faz seu produto único. Por isso acho muito legal essa união e amizade entre os artesãos, especialmente aqui na Internet.

Acredito que, com o tempo, cada vez mais pessoas vão valorizar e procurar os trabalhos artesanais e ficará mais fácil viver de artesanato.

Não acho que devemos temer as cópias, e sim continuar criando. E assim como há espaço para todos nós, artesãos, também sempre vai haver espaço para os produtos fabricados em massa (sejam produtos chineses ou nacionais). Quem quer preço (e coisas iguais ao que 'todos estão usando'), vai por um caminho; quem busca qualidade, personalidade e exclusividade, vai por outro.

Abraços,

Cristine

.faso disse...

Uma coisa que foi recorrente no texto e nos comentários é o preconceito com as artesanices. Não posso falar sobre vocês meninas, mas acredito que posso expor o meu caso (como membro da classe masculina).

Se para as mulheres pode parecer um retrocesso voltar para suas casas e trabalhar com manualidades, para nós homens isso tem um peso muito maior do que poderia imaginar. Eu estou há pouco tempo nesse mundo, mas sempre sofri preconceito por parte da minha mãe que não queria que eu aprendesse a costurar, afinal isso é "função de mulher" - acredito se eu fosse um ferreiro, marceneiro ou serralheiro, a coisa teria outro sentido, mas costureiro? Um cara que tenta viver fazendo bonequinhos de pano?!? Como assim??!?!

Além das preções de mercado, todos nós -homens e mulheres- temos que enfrentar problemas de cunho social e comportamental.

Sou designer formado, desenvolvedor de software e ilustrador - qual é o problema de eu ser um mero bonequeiro?

É para isso que a web veio (como a nossa caríssima Cristine Martin comentou): para nos unir, apoiar e nos ensinar sobre um novo mundo em que nós optamos por vivenciar; viver e ser felizes com ele.

Um super abraço,

.faso

bianca disse...

pensei: "será que escrevo o 19o comentário?"
não resisti.. sou Psicóloga, com duas especializações e pós-graduação na bagagem (tenho 30 anos), mas sempre AMEI o universo das artes manuais (herança de família)e após (mais) uma crise profissional, decidi investir em alguma produção e descobri a costura. Estou apaixonada e começando a criar meus próprios bonecos =) Onde isso vai dar? Ainda não sei.. Mas de fato ainda fico confusa e preocupada com a questão de não ter "um certo" no final do mês. Mas ao menos até agora, a psicologia também não me garantiu isso, então... Mãos à máquina e vamos trabalhar!
Parabéns pelo ótimo texto e à todos pelas escolhas realizadas!

Andreia disse...

.faso, faco das tuas palavras as minhas. Há meses essa sombra é minha companheira, mais especificamente quando decidi nao voltar pro mercado de design grafico apos terminar minha especializacao.

O que me impulsiona a continuar é a visao que eu tinha qd ia as feiras livres de londres, com designers independentes e artesoes criando pecas exclusivas, batalhando e conseguindo pagar as contas. E o melhor de tudo,felizes com a escolha.

Eu sei q o mercado europeu e americano é bem diferente do nosso. La o artesanato é super valorizado, enquanto aqui, é subvalorizado. Mas acho q estamos caminhando e melhorando essa visao aos poucos.

Tb me pergunto se vale a pena pagar alguem e aumentar a producao msm que isso implique em menos lucro liquido pra mim no final do mes. Mas já vi que sozinha a longo prazo nao dá. Até pq eu enjoo de ficar fazendo o msm produto trocentas vezes...h

Marina M disse...

Oi pessoal,

Adorei esse post, reflete muito do que penso.

Trabalho como desenvolvedora de software e faço artesanato por hobby e de vez em quando surge alguma encomenda. Já ouvi coisas do tipo: "você faz crochê? nossa mas vc tem cara de quem fica no micro procurando o que não deve nem parece que faz crochê!" rsrsrs

A internet me ajuda muito para inspirar, aprender, compartilhar e vender, confesso que esse último ainda falta muito a aprender, não sei vender bem meu peixe.

A maioria das pessoas não valoriza o artesanato, eu encontro grande dificuldade em achar pessoas que saibam dar valor à excluvidade e personalização de uma peça artesanal.

grande abraço
Marina

Fabi disse...

Adorei o texto, já venho por essas bandas tem um tempo. Confesso que foi em parte pelo que vi aqui , que criei coragem e assumi que era artesanato o que queria fazer. Sou designer também e criar no micro nao me basta, preciso pegar, rs

Acho que o nosso problema é realmente cultural. Brasileiro tem dificuldade em valorizar o que é dele, só valoriza quando faz o caminho inverso, aparece lá fora e depois aqui e isso nao acontece só nas manualidades, é em tudo. Talvez uma covardia em assumir o que é seu, valorizar.

Mas sinceramente, nao dá pra deixar de fazer o que gosta. Já tive por muito tempo a rotina escritório e tenho verdadeiro horror a voltar.

Precisamos sim ser positivos com relação a valorização do nosso trabalho, as coisas estão mudando, só que a passos de tartaruga, mas estão e isso é o que importa.

O problema que o .faso e outras passam é normal. Chega uma fase em que realmente a coisa da certo e cresce, e a gente fica com medo de assumir riscos e compromissos. A minha postura é encarar, fazer o que faz melhor. Se voce é da criaçao, gasta tua energia criando cada vez mais coisas incriveis, pq isso faz diferença. Terceirizar sim, tem muita gente que é da produçao e precisa de trabalho.
O lucro diminui? Em parte. Se pensarmos no lucro nao somente financeiro, mas institucional , desenvolvimento de parcerias, distribuição dos produtos, sem perder o foco artesanal, fica equilibrado. Quando dividimos ganhamos mais.

Meus desenhos estao quase prontos, minha cabeça está cheia de idéais e minha primeira maquina de costura chegou ontem. A proposito, minha mãe riu quando falei que comprei uma. Achou algo impossivel. O preconceito ja ta na nossa casa, entao dane-se ele.
É bola pra frente, dignidade, ter noção de onde se quer chegar, planejamento estratégico, e sempre o mais importante, muita fé. Nas pessoas, no mundo, nas melhorias e em tudo o que é de melhor.

beijo

Roberta disse...

Feministas não acham que costura ou trabalhos manuais sejam retrocesso. É bom ler um pouco de literatura feminista de verdade. Independência financeira, prazer, identidade feminina, autonomia são demandas feministas. Sou feminista até a medula e amo costura. E todas as minhas amigas que amam costura também são feministas. Esqueça estereótipos. A feminista é sua amiga.
Beijo,
Roberta

Anônimo disse...

Nossa A D O R E I o post da Emy e tudo que foi dito aki, tbem expressa tudo akilo que penso , na verdade acho que Emy tocou num assunto digamos assim "obscuro" ,rs, revelando o que muitos artesaos pensam e nunca tinham "coragem" de falar , escrever ! bom pelo menos comigo é assim! rsrs , mas é verdade ué. Acho que isto poderia virar um forum de discussao interessante , o que acham ? parece que temos muito "pano pra manga"!

e Faso dou os parabéns a ti pela audácia , só sendo muito homem pra vc ser bonequeiro mesmo viu, e suas divagaçoes tbem sao as minhas ( achava que era so eu), e tbem tenho um pouco de medo desse futuro"nebuloso"!
Ilka , adorei seus comentarios tbem trabalhava fora ( sou fisioterapeuta) e por diculdades profissionais , cai de cabeça na costuras e nas minhas bolsinhas e criaçoes , alem disso tbem sou horrivel nos afazares domésticos ( que o diga meu marido , rsrsrs)
como falou a Bianca , se a profissao que vc escolheu nao te garantiu o "certo" no fim do mes, pq não?!!
Afinal , como dizia .. nao lembro bem que! rs ( e so filosofando um pouquinho!) se estamos nessa vida , e passamos tão pouco tempo nela , porque temos que fazer o que nao gostamos só pra satisfazer os outros( sociedade !)!Pra que ??
Nesse caso concordo em respeitar nossa propria individualidade , pois assim estaremos de bem com o mundo ! E viva o mundo criativo!!!
Monica

Puma Yui disse...

Super texto! Eu li, e reli, e aproveitei para ler os comentários...

Muita gente no mesmo barco me impressiona!
A minha vantagem sobre a minha geração, é que eu ainda fui iniciada á costura em pequena. Como estudei fora do país, para ajudar nos cuidados com os filhos dos trabalhadores da empresa, ela cedeu espaço a uma escola brasileira, levando professores, e nossas aulas eram praticamente integrais. De manhã, estudávamos, e a tarde, fazíamos esportes e aulas diferenciadas.
Música, artesanato eram parte obrigatória do currículo, e em uma escola com 30 alunos somente, as professoras ensinaram garotos e garotas a bordar e costurar, além de pintura em guardanapo. Eramos crianças de 7~14 anos, e nem todas guardaram isso como útil, mas para mim, foi perfeito.
Com minha mãe do lado, aprendi crochê, tricô, e mais tarde, com uma certa inspiração paterna, fui para o lado do desenho. Só que não quis parar por aí, e aprendi a fazer macramê, pulseiras de nós, bijous, e ainda não paro de aprender... e por causa dessa fascinação, há que ainda ache que eu tenho mentalidade de velha.

Se isso é mentalidade de velha, eu ponho o crachá, mas a verdade é que precisamos estravassar a nossa criatividade, que se acumula por não a usarmos no dia a dia em escritórios enfadonhos, e por que, também, assim, nos realizamos. Seja por que criamos algo por nossas mãos, por que criamos algo do jeito que queríamos e não conseguimos comprar, por que temos algo que é nosso, em todos os sentidos.
Somos muito diferentes, então por que parecer iguais?

Eu estou esperando a empresa que me contratou para fazer uns desenhos me dar um retorno, e vou largar este escritório parado de contabilidade, largar as pretensões de concursos para lecionar, e ir trabalhar com minhas artes! =)

Será dificil, mas uma coisa ninguém pode negar dessa escolha: será infinitamente satisfatório, levado em consideração um trabalho cansativo, repetitivo, sem um mínimo de incentivo a quem o faz. Isso será um paraíso para minha mente!

Vou postar o link deste texto e espero que mais gente leia, e comece a pensar nisso também!

emy disse...

lady shampoo, por mim, tá liberado!
pessoas, a vida é dura, né!? A gente tem é que perseverar!
Faso, estou nessa fase de contratar pessoal, porque eu já não tenho como dar conta, meu dia parece ter 10 horas. Já pensei em n possibilidades, mas sempre chego à conclusão que tenho que ter pessoas pertinho de mim, sob os meus olhos o tempo todo. É um sofrimento mandar fazer as coisas fora, vem tudo torto e ninguém entende o que é fazer pontos perfeitos, com a tensão correta, peças alinhadas, pensam que vc é uma fresca desmiolada. Todo mundo só quer produção, mil peças por dia etc. Eu sofro, quero morrer com isso!
Palavrinhas de esperança e incentivo: ontem li uma notinha sobre como a Lenny Niemeyer começou. Foi em casa mesmo, na garagem. Logo veio uma inundação e ela perdeu tudo, daí ela alugou máqs de costura e foi p/ um galpão. Depois de um tempo, outra desgraça: ela foi assaltada.
bem, isso é só pra dizer que o começo é penoso mesmo. Precisamos de feeling, informação, conhecimento blá, blá, mas no final das contas é uma questão de fé, né não?

Ana Cláudia Mattos disse...

Perfeito!
Parabéns por traduzir õ pensamento de uma geração de crafteiras modernas, libertárias e criativas!

Lia disse...

Que texto maravilhoso!!

Tenho graduação e mestrado. Sou professora universitária, mas vivo o dilema da vontade de viver como artesã!

Acho que o mal ainda é o fato do artesanato ser pouco valorizado financeiramente. No momento em que os trabalhos forem mais valorizados, muito mais pessoas passarão a ser "simplesmente crafters ou artesãs...", sem preocuparem-se com o preconceito!
Muito obrigada pelas belas palavras!
bjs
Lia

andrea disse...

Emy, você conseguiu colocar em palavras o que estava entalado na garganta de muita gente. Ler teu teu post tão pessoal, lúcido e inteligente foi inspirador e o numero de comentários prova mostra que tem muita gente boa no mesmo barco. Queremos revisitar esta discussão sobre ser crafter aqui no Superziper nos próximos dias, todas ( ou melhor, todos, porque inclui o tio faso., hehee) vocês estão convidadas a participar !
Quem sabe não conseguimos fazer um Manifesto Craft Brasil ??? Já é hora né ?

A Tecelã disse...

Quando retomei minhas agulhas, fiquei pasma ao "descobrir" que o tricô,mais como terapia ocupacional,se tornara uma arte, recebendo nomes diferentes como craft e aglutinando na Internet, sites, pessoas e produtos dedicados às artes manuais, formando grupos e comunidades sociais,agitando lojas e fabricantes que começaram a se mexer para atender as exigencias cada vez maiores desses consumidores, em materia de qualidade e modernidade.
Isto tudo, junto com tecnicas de tecer, bordar, pintar de tempos remotos, que ressurgem atuais e cada vez mais sofisticados.
Parabens, voces com certeza, são tambem precursoras e causadoras desses ventos de mudança, sejam bem vindas!
Marcia

Lara disse...

muito bacana o texto!

eu vejo muito preconceito ainda.. já ouvi de uma pessoa próxima que meus trabalhinhos envergonham :)
acreditam??

não ha muito respeito nem dos fabricantes de alguns materiais... eu trabalho com linha, é difícil achar linha de qualidade, os produtos são os mesmos ha décadas, sem inovação ou esforço dos fabricantes. chato isso.

e o lado ecologicamente correto... também não podemos garantir que os fabricantes dos materiais sigam qualquer ética, trabalhista ou ambiental... mesmo o produto não sendo made in china.

mas o reconhecimento do consumidor existe... e dos amigos, alvos de nossos presentes também :) é isso que importa!

Elisa disse...

O que eu acho? Que este texto realmente alegrou o meu dia e me fez refletir sobre várias coisas que ando/andamos fazendo nesta área... Em como comportamentos banais são, na verdade, tendências e reflexos de toda a sociedade.

Adoro vocês! Emy, que gostoso ler o que você escreve! Um beijo!

Dona Mocinha disse...

Vudu é ficar o dia inteiro na frente de um computador trabalhando, celular tocando, chefe pedindo isso e aquilo, está sempre impecável para reunião.. daria meu emprego para poder me manter só fazendo craft, tem coisas na vida que dinheiro não paga e uma delas é a qualidade de vida que Emy citou, entre ter um emprego estável ter uma grana certa todo mês e viver sem tempo pra nada, prefiro mil vezes, SER FELIZ!

Fernanda Lorenzi disse...

Emy, concordo plenamente contigo. Trabalho com peças exclusivas, e acredito que o diferencial, no meu caso, está ai...
saber que você tem uma peça única e exclusiva é muito bom!
adoro o que você escreve!
beijos!

Gi Pottker disse...

Parabéns!
Um texto claro e objetivo sobre o que de mais recente anda rolando no mundo craft.
Vou divulgar, porque merece!

Beijos!!

Dani disse...

Tb nao posso deixar de comentar esse texto pq me encaixo numa situação em que muitas crafteiras estão (e fico feliz com isso, pq faz pouco tempo q resolvi assumir esse meu lado e nao sabia q tinha tanta gente igual a mim). Bom, rapidamente, vou deixar meu "depoimento": fiz gradução e mestrado em Letras na Unesp e sempre achei que esses meus diplomas me dariam muitas oportunidades. infelizmente, comigo nao foi assim, e sempre vivi trabalhando em lugares que nao pagavam... Meu envolvimento com o artesanato se deu faz uns seis anos, comecei fazendo um espantalho pro meu filho, e nunca pensei em ter isso como profisão, pq eu mesma tinha esse preconceito.
Nesse ano, resolvi assumir de verdade meu lado crafteira e fazer as bonecas pra vender, já q todo mundo gostava qdo presenteava.
Sei que as coisas estão indo mto melhores do q esperava, criei um blog e conheci muitos outros, como o Super Ziper, q a cada dia me animam mais a continuar.
Ainda continuo dando poucas aulas (gosto delas) e cada dia faço mais bonecas por encomenda. Ainda nao dá pra viver disso, mas vou juntando tudo q tenho pra poder abrir meu ateliê. Sou do interior de São paulo e isso aqui nao é muito comum.
Espero q consiga abrir esse meu ateliê me dedicar totalmente a isso em pouco tempo!
Emy, obrigada pelo texto tão reflexivo e útil, principalmente para pessoas como eu que começam a se aventurar agora nessa arte!
bjos

Dani disse...

Emy!!!!
Aplausos pra vc, muitos aplausos!
Seu texto está maravilhso, verdadeiro..amei..
Me encaixei perfeitamente no perfil..Há um ano, trabalho em casa com minhas pinturas, cuido de casa, fico + tempo com minha filha e meu marido..e nao me arrependo nem um pouco da escolha. Já recusei inclusive oferta de emprego..É maravilhoso..pena é o preconceito mesmo..e muitas pessoas que aregalam o olho e dizem ahhh...qdo falo o que faço..incrivel como as pessoas estranham o fato de eu nao querer trbalhar fora, como uma escrava branca mal remunerada e tendo que obedecer chefes loucos...rsss
Enfim!
Adorei demais seu texto, sou fãzona do superziper, inclusive esta nos meus links favoritos de meu fotolog.
Apareça!
fotolog.terra.com.br/daniartecountry
Bjosssss..adoro vcs!!

rachel disse...

Penso que você que você definiu bem o que vem a ser crafs. Que bobagem alguém pensar que é um retrocesso este retorno aos trabalhos manuais. É natural que nós mulheres voltemos a inventar esta roda, colocando a mão na massa. Penso que o mundo em que vivemos pirou mesmo. Tudo pronto, mastigado e hoje mais que nunca criar é preciso! O ser humano está literalmente afundando nosso planeta atolado no seu consumismo. O artesanato para mim é terapia, encontro. Tenho uma coleção de bonecas, que vou criando na medida em que vou trabalhando minhas emoções. Nada copiado, nada perfeito mas a minha cara. Obrigada bela e esclarecedora matéria.

Mini Ateliê Teka e Fabi disse...

Eu acho que vc explicou muito bem tudo que eu sempre quis que as pessoas entendessem quando me perguntam o que eu faço da vida e na resposta eu encontro um certo torcer de nariz!

Cláudia disse...

Ótimo texto! Depois de tantos comentários, o meu não é diferente!
Estudei minha vida toda e fiz Doutorado. Há um ano, descobri o artesanato.... deu vontade de costurar, comprei uma máquina.... fazia vários presentinhos pras amigas, e sempre ouvia elegios... no inicio deste ano, comecei com feltro. Amei! fiz algumas peças e coloquei no meu blog. Recebi tanto elogios que comecei a vender pela internet.....Mas tb tinha esta dúvida: largo tudo e vou fazer o que eu realmente gosto, que é artesanato? Como os "outros" vão reagir? Depois que eu li este texto, fiquei muito feliz, pois não sou só eu que está "neste barco" .... e infelizmente, este pensamento "ah, vc faz artesanto" ainda é muio pior em cidades do interior.... mas pelo menos na internet, a coisa está melhorando.... Outra coisa, conheço várias meninas que possuem graduação e que adoraram artesanato e que largariam tudo para seguir seguir o caminho do "faço a mão".....

beijos e adorei o blog

emy disse...

pessoas, muito obrigada por todos que leram minhas linhas e deixaram seus comentários! fico felicíssima! espero que todos encontrem seus caminhos e sejam felizes com suas escolhas! E viva todos nós que queremos deixar as coisas ao nosso redor mais humanas, bonitas e simpáticas! bjinhos p/ cada um de vcs

Ana Tuyama disse...

Emy, parabéns!!!
Belissimo texto, compartilho com vários crafters dessa sensação intrigante na hora de dizer as pessoas sobre meu trabalho... me tornei crafter também por conveniência de unir o útil, estar perto de meus filhos e largar o trabalho burocrático, ao agradável transformar um hobby em algo rentável.
Também tenho dificuldades em vender meus trabalhos, tenho os mesmos temores do .faso, da Carola, mas sou muito feliz fazendo o que faço, e acredito sim que é possivel tocar em frente, sempre procurando fazer o melhor!

marcia disse...

olá pessoas
achei incrível o texto da emy e muito legal também saber que existem muitas pessoas na mesma situação que eu.
sou designer e há 2 anos mais ou menos comecei a fazer encadernações. adoro criar novos modelos e aprender novas costuras...
trabalho na frente do computador pelo menos 8 horas por dia. viver de artesanato, para mim, significaria melhoria da qualidade de vida.
assim como muitos que já postaram aqui, também tenho dificuldade de vender meu peixe e de encarar definitivamente o artesanato como "atividade profissional" mas cada dia dou um passinho para que isso se concretize.

parabéns também à Cláudia e à Andrea pelo blog, sempre trazendo muitas novidades e boas discussões como esta.

vida longa!

Pedaço de Amor disse...

Maravilha!
Hoje sou crafter o tempo todo, e sou feliz com isso. Dificuldades tenho, mas não me arrependo de ter feito essa escolha, e acho que a coisa tá mudando em relação ao handmade, as pessoas estão começando a valorizar os produtos que são feitos com carinho, um a um. E quem não gosta? E quem não valoriza? Azar o deles!

beijos

ei! kumpel disse...

o que é que eu acho?

Eu acho que este é um texto fabuloso e muito, muito bem escrito!

Estou prestes a terminar o meu doutoramento em toxicologia ambiental e no entanto não há maior prazer do que fazer coisas... fazer crafts, fazer coisas à mão, imaginar a peça e poder criá-la...

se isso é retrocesso ou não, não sei, mas que me sinto muito feliz, sinto.

muito obrigada por este post, foi tão bom lê-lo!

beijos,
margarida

* Atelier Ao Meu Gosto * disse...

Adorei!
Está muito bem escrito, senti-me retratada nas divagações :)

Parabéns!

Lena

Magali disse...

Excelente artigo! É isso mesmo! Já atuei como Secretária de altos executivos, mas sempre fui apaixonada por artesanato! Produzia sempre alguma coisa, para "colocar as idéias em dia"! Hoje ele é minha principal ocupação secular. Caminhos dificeis? Com certeza! Mas, não impossíveis quando temos a criativiadde a nosso dispor! Assim nasceu a Idéia em Dia.

Carol disse...

Há muito que artesanato não é uma coisa "menor". Basta ver os vestidos do Carlos Miele. Basta ver os projetos de arquitetura de interiores, buscando cada vez mais esse tipo de trabalho. O artesão, que eu prefiro chamar de artista, diminui um pouco esse fenômeno mundial em que todos querem ser iguais. Todos querem as mesmas roupas, as mesmas bolsas, os mesmos sapatos, o mesmo corpo...O craft contribui para que exista a diversidade e é justamente isso que faz o mundo mais bonito. Abraço Caroline

Nanda disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Adri disse...

Eu sempre fui meio assim: faça você mesma! Eu amo aprender! Amo de paixão. E adoro craft, tudo que é feito manualmente... Eu não tenho tanto talento quanto muita gente que eu vejo por aqui e em feiras e talz... Mas eu gosto de aprender e estou me dedicando a isso. Recentemente, me matriculei no curso de Patchwork e está me dando uma satisfação enorme aprendê-lo! Adorei encontrar esse espaço para aprimorar e aprender ainda mais! òtimo post, eu adorei!
Mil beijos!

Neli Alves disse...

Entrei no Superziper por acaso e encontrei um lugar de gente inteligente e extremamente consciente - sem aquelas frases feitas "vamos salvar o planeta". Gente que faz e se orgulha do que faz. Parabéns a todos. Pela primeira vez consegui ler todos os comentários de um texto - por sinal, maravilhoso.
Sou advogada, trabalhei por algum tempo e depois decidi deixar de lado a carreira e investir em outros caminhos. Agora já estou aposentada e amando ter tempo para me dedicar aos meus trabalhos manuais.
Eu estou desenvolvendo alguns produtos com tecido prensado a partir de sacolinhas plásticas e estou adorando vê-las tornarem-se úteis em vez de correr o risco de encontrá-las jogadas pelas ruas.
Meu marido desenvolve peças em marchetaria e também está amando ter tempo para fazer o que lhe dá, além de um dinheirinho, muito prazer.
Se quiserem nos visitar nosso blog é: www.blogdodomcaixote.blogspot.com
Adorei ter encontrado vocês. Parabéns a todos.

princesa das arábias disse...

Olá, levei o link dest página pro meu blog, espero que não se importem.

Bjokas e boa continuação

Anônimo disse...

Olá Pessoal!

Conheci este espaço ontem a noite...achei no google pq estava procurando como tingir calças jeans, na verdade, tenho algumas calças usadas do pessoal de casa, fiz uma vez uma bolsa pra mim, chamou muito a atenção...guardei as calças velhas para outras bolsas, mas ontem encontrei 2 calças do meu marido que estão perfeitas, só desbotadas demais para o gosto dele, vou tingí-las para ele usar mais um pouco, depois pode virar oitras coisas...
Grudei os olhos em tudo daqui, achei tudo muito legal...faço trico, croche, pinturas em panos, telas, madeiras, aliás amo usar as mãos para fazer de tudo um pouco...
Espero também poder acrescentar também algo a vcs.

beijinhos

Rô Szili
rosangelaszili@gmail.com

Argonath disse...

Uau...
Já é o segundo post da Emy que eu leio, e que faz com que me sinta verdadeiramente humana...
Vejo desde que era criança minha mãe pagando contas e tirando a casa do sufoco com os tapetes que ela fazia... eram de ponto cruz feitos com malha na juta... uma coisa única (que nunca vi quem faça igual) e que já foi parar em várias revistas (Manequim e a Faça e Venda...). Então, conheço de outros carnavais o estereótipo do artesão mal remunerado, pária de uma sociedade que se curva para o consumo desenfreado sem nem saber se gosta mesmo de consumir aquelas coisas...
Eu faço bonecas de pano, não tenho nenhum diploma de curso superior, trabalho o dia todo resolvendo problemas dos outros, gasto minha energia para que a empresa de outra pessoa vá a contento... e ainda não tive coragem de parar tudo e partir para trabalhar só com meus artesanatos (feltro, decoupagem e caixas de papelão também fazem parte).
Mas, também acho que ser crafter não é retrocesso, porque na verdade é preciso ter coragem para largar uma vida toda estável e infeliz, por uma vida cheia de percalços mas com muita qualidade de vida, como muitas amigas disseram aqui... Acho que também ganho vários "vodus", porque essa loucura dos nossos dias atuais, é reação das nossas próprias ações do passado (séculos e séculos)... e, se trabalhar fora foi reivindicação, será que podemos devolver ???
Obrigada pelo maravilhoso post, que colocou mais um pesinho na minha balança... ser ou não ser apenas crafter ? Eis a questão...
Beijocas mil
Helena (comentando...)

Veronica disse...

Parabéns!!! Muito interessante o artigo. Já tem um tempinho que trabalho manual (ou craft,ou artesanato, os rótulos nada significam) começou a ser visto de uma outra forma e mais valorizado. Penso que não seja só pelo consumo, mas também por ser um trabalho (sim, é trabalho mesmo, e, muitas vezes, bastante cansativo, mas intensamente prazeroso) que anda conquistando pessoas de todos os tipos, formações escolares ou classes sociais por dar retorno e , principalmente, um prazer enorme, ao ser finalizado. Num tempo de tanta desconfiança, tanta violência, tanta falta de emprego no mercado, muitas pessoas optam por uma atividade que possa ser feita em casa enquanto os filhos crescem. E isso, vê-los crescerem, estando por perto, é privilégio de poucos. Fiz essa opção há mais de 30 anos, com dois filhos pequenos e recém-formada em Letras. Sabendo costurar desde pequena, abri mão da sala de aula para poder acompanhá-los e não me arrependo. Quando eles estavam crescidos e achei que o artesanato já não me dava o mesmo prazer de antes, fechei o ateliê e fui fazer algumas pós. Depois de 3 concluídas e algumas salas de aula, percebi que me faltava aquele gostinho do desafio, de estimular a criatividade, de inventar coisas, e voltei ao meu delicioso ofício de "brincar" com meus materiais. E estou aqui, depois de 10 anos, recomeçando. Admirada, percebo que meus velhos moldes estão mais na "moda" do que nunca. Apenas recebem alguns toques diferentes, o que me motiva mais ainda. Isto é ser feminista: poder fazer o que quero e, ainda por cima, fazer o meu prazer me dar dinheiro. Quer melhor?

Cheyenne Souza disse...

Amo ser crafter, e amo Superziper... Cheyenne bjsssss

Danielle disse...

Parabéns pelo blog. Encontrei ele justamente vasculhando idéias legais para meus trabalhos manuais. Quanto ao texto, eu tenho faculdade, bom emprego, blá, blá ,blá...mas me realizo mesmo quando estou em casa com meus tecidos, fios, agulhas, tesouras...Tenhos 31 anos e desde os 10 ou 12 faço artesanato como hobbie. Eu vi e vivi esta fase de transição de bordadeira/costureira para (crafiteira?!). Aliás não faz muito tempo que eu descobri que agora tenho este título.

Beijo a todos!

lurdes medeiros disse...

Oi. Parabéns pelo Blog. É surpreendente porque trata de assuntos variados. Eu, como a maioria... estão entre o rol de pessoas que de uma certa forma se realizaram profissionalmente. Mas o que acontece com todo "mundo" que trabalha demais... estou estressada e por recomendação médica comecei a fazer crochê e agora estou aprendendo a fazer patchwork, e o legal é que estou tão empolgada que fico procurando receitas na internet. Obrigada pelas dicas.
Lurdes

Santinha disse...

Obrigada pelo convite no flickr.
Vocês já disseram tudo é mais um pouco. Já estou nessa "onda" há vários anos e não me arrependo. Quanto mais eu pratico as minhas artes, mas eu aprendo. E acho que só vou parar de aprender o dia que morrer.
Parabéns pelo belo post e tb pelo blog
Apareça em Mi Casa
bjk

Noah disse...

Oi,
É a primeira vez que aqui chego e de cara encontro este texto sensacional.
Estou levando o link para o Álbum para convidar minhas visitas virem aqui para lê-lo.
Emy tu transformaste em palavras o que penso e, pelos comentários, N pessoas também pensam.
Meus Parabéns pelo "grande e enxuto" texto.

Nena disse...

Olá!
Belo texto,bem real1
Hoje atingi uma fase,que só faço aquilo que me dá prazer e graças à internet,tenho feito viagens maravilhosas...tem muita gente por aí com um tremendo bom gosto e que nos presenteam com trabalhos brilhantes e com um texto como o seu que reproduz o que a gente às vezes tenta e não consegue exprimir.
Obrigada por divulgá-lo.
Um beijo,Nena

luciadosprazeres disse...

Bonito e verdadeiro,quem faz sabe que cada peça é unicaporque o momento da execução e o destino são diferentes.lucia

Aracy disse...

Nossa, amei o texto e concordo totalmente.
Há uns 17 anos parei de trabalhar fora para iniciar meu atelie e me dedicar ao artesanato que realmente me realizava, nunca me arrependi, aliás só ganhei com isto, cresci interiormente, vivi muitas etapas, aprendi muita coisa e fiz muitas amigas e sigo em frente neste propósito sensacional.

divânia disse...

Emy, eu não psso me calar diante desse texto tão lúcido (gostaria de ser mais fluente com as letras!),nele encontrei tudo que eu gostaria de dizer!
Sinto também o preconceito que o Tio faso comentou,sempre que preencho uma ficha cadstral e no espaço de PROFISSÃO,meto lá:
ARTESÃ...Quem está do outro lado me olha esquisito e muitas vezes (quado tem coragem!),pergunta:como é isso?...Então eu conto....sempre cheia de orgulho e feliz (algumas vezes eu não estou!)...que um dia optei por trabalhar apenas no que eu amo fazer....E a internet aconteceu (há pouco tempo!, prá eu colocar a cara a tapa.....E saibam:
TÁ BOM DEMAIS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!Obrigada Emy,por dizer o que disse...
Di